{"id":251,"date":"2018-10-19T20:06:39","date_gmt":"2018-10-19T20:06:39","guid":{"rendered":"https:\/\/idiomus.com\/blog\/?p=251"},"modified":"2022-12-01T20:57:50","modified_gmt":"2022-12-01T23:57:50","slug":"de-onde-vem-as-boas-ideias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/idiomus.com\/blog\/de-onde-vem-as-boas-ideias\/","title":{"rendered":"Resumo do Livro: De Onde V\u00eam As Boas Ideias &#8211; Steven Johson"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-size: 18pt;\"><strong>De Onde V\u00eam as Boas Ideias: Uma Hist\u00f3ria Natural da Inova\u00e7\u00e3o<\/strong><\/span><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Sinopse:<\/strong> Se h\u00e1 uma \u00fanica m\u00e1xima que percorre todos os argumentos de Steven Johnson, premiado autor de ci\u00eancias, em \u201cDe Onde V\u00eam as Boas Ideias\u201d, \u00e9 que, de modo geral, a humanidade tem obtido maior sucesso ao conectar conceitos do que ao proteger as novas ideias.<\/p>\n<p>Assim como o livre mercado, a chamada \u201cordem natural\u201d serviu, historicamente, de embasamento para todos que almejam restringir o fluxo de inova\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Todavia, o exame acurado da inova\u00e7\u00e3o, cultural e natural, revela que ambientes que blindam suas boas ideias s\u00e3o menos inovadores. Afinal, boas ideias querem se recombinar, se fundir, se conectar.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de competir, as inova\u00e7\u00f5es devem se reinventar, a fim de ultrapassar barreiras conceituais e construir o futuro nesse processo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 style=\"text-align: left;\"><strong>O poss\u00edvel adjacente<\/strong><\/h3>\n<p>Temos uma tend\u00eancia natural a romantizar inova\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias, <a href=\"https:\/\/idiomus.com\/blog\/livro-criatividade-s-a\/\">imaginando<\/a> ideias de grande import\u00e2ncia que transcendem seus ambientes, uma mente talentosa que de algum modo enxerga al\u00e9m dos detritos das velhas ideias e da tradi\u00e7\u00e3o engessada. Mas as ideias s\u00e3o trabalho de bricolagem; s\u00e3o fabricadas a partir desses detritos.<\/p>\n<p>Tomamos as ideias que herdamos ou com que deparamos e as ajeitamos numa nova forma. Gostamos de pensar em nossas ideias como uma incubadora de 40 mil d\u00f3lares, sa\u00edda diretamente da f\u00e1brica, mas na realidade elas foram constru\u00eddas com as pe\u00e7as sobressalentes que por acaso se encontravam na garagem.<\/p>\n<p>Sendo assim, que tipo de ambiente gera boas ideias? A resposta mais simples que o autor oferece \u00e9 esta: ambientes de inova\u00e7\u00e3o s\u00e3o melhores para auxiliar seus habitantes a investigarem o poss\u00edvel adjacente, uma vez que apresentam amostras diversas e amplas de pe\u00e7as sobressalentes \u2013 conceituais ou mec\u00e2nicas \u2013 e promovem novas formas de recombina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ambientes que limitam ou bloqueiam novas combina\u00e7\u00f5es (de modo a punir a experimenta\u00e7\u00e3o e obscurecer possibilidades) tendem a difundir e originar uma quantidade menos de inova\u00e7\u00f5es em compara\u00e7\u00e3o \u00e0queles que encorajam a explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 style=\"text-align: left;\"><strong>Redes l\u00edquidas<\/strong><\/h3>\n<p>Quando pensamos sobre ideias em seu estado natural de redes neurais, duas precondi\u00e7\u00f5es decisivas ficam claras. Primeiro, o simples tamanho da rede: n\u00e3o se pode ter uma epifania com apenas tr\u00eas neur\u00f4nios se acendendo. A rede precisa ser densamente povoada.<\/p>\n<p>Nosso c\u00e9rebro tem cerca de 100 bilh\u00f5es de neur\u00f4nios, um n\u00famero bastante impressionante, mas todos eles seriam in\u00fateis para criar ideias (assim como para todas as outras realiza\u00e7\u00f5es do c\u00e9rebro humano) se n\u00e3o fossem capazes de estabelecer essas conex\u00f5es complexas uns com os outros.<\/p>\n<p>Um neur\u00f4nio m\u00e9dio conecta-se com mil outros neur\u00f4nios espalhados pelo c\u00e9rebro, o que significa que o c\u00e9rebro humano adulto cont\u00e9m 100 trilh\u00f5es de conex\u00f5es neuronais distintas, fazendo dele a maior e mais complexa rede existente na Terra.<\/p>\n<p>Em compara\u00e7\u00e3o, h\u00e1 algo na ordem de 40 bilh\u00f5es de p\u00e1ginas na web. Supondo uma m\u00e9dia de dez links por p\u00e1gina, significa que andamos por a\u00ed tendo, dentro de nossos cr\u00e2nios, uma rede de alta densidade muitas ordens de magnitude maior que toda a World Wide Web.<\/p>\n<p>A segunda precondi\u00e7\u00e3o \u00e9 que a rede seja pl\u00e1stica, capaz de adotar novas configura\u00e7\u00f5es. Uma rede densa que n\u00e3o consegue formar novos padr\u00f5es \u00e9, por defini\u00e7\u00e3o, incapaz de mudar, de investigar nas bordas do poss\u00edvel adjacente.<\/p>\n<p>Quando uma nova ideia surge em nossa cabe\u00e7a, a sensa\u00e7\u00e3o de novidade que torna essa experi\u00eancia t\u00e3o m\u00e1gica tem um correspondente direto nas c\u00e9lulas de nosso c\u00e9rebro: um conjunto inteiramente novo de neur\u00f4nios se reuniu para tornar o pensamento poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Essas conex\u00f5es s\u00e3o formadas por nossos genes e pela experi\u00eancia pessoal: algumas delas ajudam a regular nossos batimentos card\u00edacos e disparam rea\u00e7\u00f5es reflexas; outras evocam v\u00edvidas lembran\u00e7as sensoriais dos biscoitos que com\u00edamos quando crian\u00e7as; outras ainda nos ajudam a inventar o conceito de um computador program\u00e1vel.<\/p>\n<p>As conex\u00f5es s\u00e3o a chave da sabedoria, e \u00e9 por isso que a teoria de que perdemos neur\u00f4nios ap\u00f3s atingir a idade adulta \u00e9 irrelevante. O que importa em nossa mente n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o n\u00famero de neur\u00f4nios, mas a mir\u00edade de conex\u00f5es que se formam entre eles.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 style=\"text-align: left;\"><strong>A intui\u00e7\u00e3o lenta<\/strong><\/h3>\n<p>Manter viva uma intui\u00e7\u00e3o lenta envolve desafios em m\u00faltiplas escalas. Em primeiro lugar, temos de preservar a intui\u00e7\u00e3o em nossa mem\u00f3ria, na rede densa de nossos neur\u00f4nios.<\/p>\n<p>A maior parte das intui\u00e7\u00f5es lentas nunca dura o bastante para se transformar em algo \u00fatil, porque entra e sai de nossa mem\u00f3ria depressa demais, justamente por apresentar certa obscuridade.<\/p>\n<p>Temos a impress\u00e3o de que h\u00e1 uma possibilidade interessante a explorar, um problema que poderia nos levar um dia a uma solu\u00e7\u00e3o, mas depois nos distra\u00edmos com assuntos mais prementes e a intui\u00e7\u00e3o desaparece. Por isso, parte do segredo de cultivar intui\u00e7\u00f5es \u00e9 simples: anote tudo.<\/p>\n<p>Podemos rastrear a evolu\u00e7\u00e3o das ideias de Darwin com tamanha precis\u00e3o porque ele se dedicava a uma pr\u00e1tica rigorosa de manter cadernos em que citava outras fontes, improvisava novas ideias, questionava e rejeitava pistas falsas, desenhava diagramas e, de maneira geral, deixava sua mente divagar na p\u00e1gina.<\/p>\n<p>Podemos acompanhar a evolu\u00e7\u00e3o das ideias de Darwin porque num n\u00edvel b\u00e1sico a plataforma do caderno cria um espa\u00e7o de cultivo para suas intui\u00e7\u00f5es. N\u00e3o que o caderno fosse uma mera transcri\u00e7\u00e3o das ideias que aconteciam em algum lugar nos bastidores de sua mente.<\/p>\n<p>Ele estava sempre relendo suas anota\u00e7\u00f5es, descobrindo novas implica\u00e7\u00f5es. Suas ideias se formam como uma esp\u00e9cie de dueto entre o c\u00e9rebro pensante do presente e todas aquelas observa\u00e7\u00f5es passadas registradas no papel.<\/p>\n<p>Em algum lugar no meio do oceano \u00cdndico, uma cadeia de associa\u00e7\u00f5es o compele a reexaminar o que anotara sobre a fauna do arquip\u00e9lago de Gal\u00e1pagos cinco meses antes.<\/p>\n<p>E, quando ele l\u00ea suas observa\u00e7\u00f5es, come\u00e7a a ganhar forma em sua mente um novo pensamento que provoca toda uma nova s\u00e9rie de anota\u00e7\u00f5es que s\u00f3 far\u00e3o pleno sentido anos depois.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/go.idiomus.com\/app\/download\/blog?category=resumos-de-livros&amp;post=de-onde-vem-as-boas-ideias\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-3412\" src=\"https:\/\/idiomus.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/There-is-e-there-are-como-usar-1-1024x1024.png\" alt=\"\" width=\"425\" height=\"425\" srcset=\"https:\/\/idiomus.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/There-is-e-there-are-como-usar-1-1024x1024.png 1024w, https:\/\/idiomus.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/There-is-e-there-are-como-usar-1-150x150.png 150w, https:\/\/idiomus.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/There-is-e-there-are-como-usar-1-300x300.png 300w, https:\/\/idiomus.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/There-is-e-there-are-como-usar-1-768x768.png 768w, https:\/\/idiomus.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/There-is-e-there-are-como-usar-1.png 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 425px) 100vw, 425px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 style=\"text-align: left;\"><strong>Serendipidade<\/strong><\/h3>\n<p>Como qualquer outro pensamento, uma intui\u00e7\u00e3o nada mais \u00e9 que uma rede de c\u00e9lulas se acendendo dentro de nosso c\u00e9rebro num padr\u00e3o organizado. Para algo mais substancial florescer, por\u00e9m, essa rede tem de se conectar com outras ideias.<\/p>\n<p>Precisa de um ambiente em que conex\u00f5es surpreendentemente novas possam ser forjadas: os neur\u00f4nios e sinapses do pr\u00f3prio c\u00e9rebro e o ambiente cultural mais amplo que o c\u00e9rebro ocupa.<\/p>\n<p>Durante muitos anos grassou um debate sobre a natureza dessas conex\u00f5es neurais. Seriam elas de natureza qu\u00edmica ou el\u00e9trica? Haveria sopas qu\u00edmicas no c\u00e9rebro, ou fa\u00edscas? A resposta, por fim, foi: ambas as coisas.<\/p>\n<p>Os neur\u00f4nios enviam sinais el\u00e9tricos pelos longos cabos de seus ax\u00f4nios, que se conectam com outros neur\u00f4nios por meio de pequenas lacunas sin\u00e1pticas. Ao chegar \u00e0 sinapse, a carga el\u00e9trica libera um mensageiro qu\u00edmico \u2013 um neurotransmissor, como a dopamina ou a serotonina \u2013 que flutua at\u00e9 o neur\u00f4nio receptor e desencadeia finalmente outra carga el\u00e9trica, que viaja at\u00e9 outro neur\u00f4nio no c\u00e9rebro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 style=\"text-align: left;\"><strong>Erro<\/strong><\/h3>\n<p>A pr\u00f3xima vez que voc\u00ea visitar um jardim zool\u00f3gico ou um museu de hist\u00f3ria natural e observar a extraordin\u00e1ria diversidade dos organismos em nosso planeta, pare um segundo para lembrar que toda essa varia\u00e7\u00e3o \u2013 as presas do elefante, a cauda do pav\u00e3o e o neoc\u00f3rtex do ser humano \u2013 tornou-se poss\u00edvel, em parte, por erro.<\/p>\n<p>Sem ru\u00eddo, a evolu\u00e7\u00e3o estagnaria, reduzida a uma s\u00e9rie intermin\u00e1vel de c\u00f3pias perfeitas, incapazes de mudan\u00e7a. Mas, como o DNA \u00e9 suscet\u00edvel ao erro \u2013 sejam muta\u00e7\u00f5es no pr\u00f3prio c\u00f3digo, sejam erros de transcri\u00e7\u00e3o durante a replica\u00e7\u00e3o \u2013, a sele\u00e7\u00e3o natural tem uma fonte constante de novas possibilidades para testar.<\/p>\n<p>O mais das vezes, esses erros levam a resultados desastrosos ou n\u00e3o t\u00eam absolutamente nenhum efeito. De vez em quando, por\u00e9m, uma muta\u00e7\u00e3o abre uma nova ala do poss\u00edvel adjacente. De uma perspectiva evolucion\u00e1ria, n\u00e3o basta dizer que \u201cerrar \u00e9 humano\u201d. Em primeiro lugar, foi o erro que tornou o ser humano poss\u00edvel.<\/p>\n<p>A proemin\u00eancia da muta\u00e7\u00e3o rand\u00f4mica em nossa hist\u00f3ria evolucion\u00e1ria foi h\u00e1 muito associada \u00e0 teoria original de Darwin, mas a verdade \u00e9 que o pr\u00f3prio Darwin teve grande dificuldade em aceitar a premissa de que a varia\u00e7\u00e3o aleat\u00f3ria n\u00e3o dirigida poderia produzir as maravilhosas inova\u00e7\u00f5es da vida.<\/p>\n<p>Quando ele esbo\u00e7ou pela primeira vez a teoria da sele\u00e7\u00e3o natural como a \u201cpreserva\u00e7\u00e3o de varia\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis e a rejei\u00e7\u00e3o de varia\u00e7\u00f5es prejudiciais\u201d em \u201cA origem das esp\u00e9cies\u201d, faltava-lhe uma teoria convincente para explicar de onde vinham todas essas varia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Na obra, ele escreve de maneira geral sobre elas como se fossem rand\u00f4micas, em parte porque est\u00e1 tentando explicitamente repelir a no\u00e7\u00e3o lamarckiana de varia\u00e7\u00e3o dirigida, segundo a qual as inova\u00e7\u00f5es \u2013 o pesco\u00e7o comprido da girafa \u00e9 o exemplo can\u00f4nico \u2013 s\u00e3o geradas por atividade durante a vida do organismo e, depois, transmitidas \u00e0 gera\u00e7\u00e3o seguinte.<\/p>\n<p>Mas, ao longo da d\u00e9cada que se seguiu, Darwin afastou-se do abismo da varia\u00e7\u00e3o rand\u00f4mica e desenvolveu uma teoria chamada pang\u00eanese, publicada pela primeira vez em seu livro de 1868, \u201cThe Variation of Animals and Plants under Domestication\u201d.<\/p>\n<p>A pang\u00eanese renegava o ru\u00eddo da teoria original de Darwin, introduzindo um complexo mecanismo para a hereditariedade que criava um tipo de varia\u00e7\u00e3o dirigida. Segundo essa teoria, cada c\u00e9lula do corpo liberava part\u00edculas heredit\u00e1rias, chamadas g\u00eamulas, que se acumulavam nas c\u00e9lulas germinativas do organismo.<\/p>\n<p>Um \u00f3rg\u00e3o ou membro particular que fosse intensamente usado durante toda a vida do animal liberaria mais g\u00eamulas, e assim moldaria a fisiologia da gera\u00e7\u00e3o seguinte. Embora a pang\u00eanese tenha sido bem recebida na \u00e9poca em que Darwin a prop\u00f4s, a gen\u00e9tica moderna acabou revelando-a completamente falsa, e esse se provou o mais not\u00f3rio erro da carreira cient\u00edfica dele.<\/p>\n<p>Em certo sentido, o maior erro de Darwin foi n\u00e3o compreender a for\u00e7a proteica do erro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 style=\"text-align: left;\"><strong>Exapta\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>Um organismo desenvolve um tra\u00e7o otimizado para um uso espec\u00edfico, mas depois ele \u00e9 apropriado para uma fun\u00e7\u00e3o completamente diferente. O exemplo cl\u00e1ssico s\u00e3o as penas das aves, que, segundo se acredita, foram desenvolvidas de in\u00edcio para fins de regula\u00e7\u00e3o da temperatura, ajudando dinossauros n\u00e3o voadores do per\u00edodo Cret\u00e1ceo a se proteger do frio.<\/p>\n<p>Quando alguns de seus descendentes, entre os quais uma criatura que hoje chamamos de Archaeopteryx, come\u00e7aram a fazer experi\u00eancias com o voo, as penas se revelaram \u00fateis para controlar o fluxo de ar sobre a superf\u00edcie da asa, permitindo a essas primeiras aves planar.<\/p>\n<p>A transforma\u00e7\u00e3o inicial \u00e9 quase acidental: uma ferramenta esculpida por press\u00f5es evolucion\u00e1rias para uma finalidade passa a ter uma propriedade inesperada que ajuda o organismo a sobreviver de uma nova maneira.<\/p>\n<p>Mas, uma vez que essa nova propriedade \u00e9 posta em uso, depois que o Archaeopteryx come\u00e7a a usar suas penas para planar, o tra\u00e7o evolui segundo outro conjunto de crit\u00e9rios.<\/p>\n<p>Todas as penas de voo, por exemplo, t\u00eam uma acentuada assimetria: as barbas de um lado (ou l\u00e2mina) da haste central s\u00e3o maiores que as do lado oposto. Isso lhes permite atuar como uma esp\u00e9cie de aerof\u00f3lio, proporcionando estabilidade durante o bater das asas.<\/p>\n<p>Aves que voam em velocidades muito elevadas, como os falc\u00f5es, t\u00eam assimetrias mais acentuadas que aves mais lentas. No entanto, as penas da penugem, que s\u00f3 isolam o corpo, s\u00e3o perfeitamente sim\u00e9tricas.<\/p>\n<p>Quando as penas s\u00f3 servem para manter o organismo aquecido, n\u00e3o h\u00e1 vantagem em constru\u00ed-las ligeiramente enviesadas. Muta\u00e7\u00f5es ou outros tipos de variabilidade geral no pool gen\u00e9tico produzem inevitavelmente penas um pouco menos sim\u00e9tricas que a m\u00e9dia, mas esses tra\u00e7os n\u00e3o se intensificam e se difundem atrav\u00e9s das gera\u00e7\u00f5es, pois n\u00e3o proporcionam nenhuma vantagem reprodutiva em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s penas normais.<\/p>\n<p>Mas, uma vez que a velocidade de voo se torna uma propriedade com implica\u00e7\u00f5es importantes para a sobreviv\u00eancia, essas barbas assim\u00e9tricas revelam-se de extrema utilidade.<\/p>\n<p>Ali onde anteriormente a assimetria entrava e sa\u00eda do pool gen\u00e9tico, a sele\u00e7\u00e3o natural come\u00e7a a esculpir essas penas de modo a torn\u00e1-las mais aerodin\u00e2micas. Uma pena adaptada para o aquecimento \u00e9 ent\u00e3o exaptada para o voo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 style=\"text-align: left;\"><strong>Plataformas<\/strong><\/h3>\n<p>As plataformas mais generativas surgem em pilhas, de maneira not\u00f3ria no caso da plataforma em camadas da web (a express\u00e3o \u201cpilha de plataformas\u201d \u00e9 ela mesma parte da linguagem comum da programa\u00e7\u00e3o moderna).<\/p>\n<p>A web pode ser imaginada como uma esp\u00e9cie de s\u00edtio arqueol\u00f3gico, com camadas sobre camadas de plataformas enterradas sob cada p\u00e1gina. Tim Berners-Lee conseguiu projetar sozinho um novo meio porque p\u00f4de construir livremente sobre os protocolos abertos da internet.<\/p>\n<p>N\u00e3o teve de construir um sistema inteiro para que a comunica\u00e7\u00e3o entre computadores se espalhasse por todo o planeta; esse problema j\u00e1 havia sido resolvido d\u00e9cadas antes. Bastou-lhe construir uma estrutura padr\u00e3o para descrever p\u00e1ginas de hipertexto (HTML) e compartilh\u00e1-las atrav\u00e9s de canais existentes da internet (HTTP).<\/p>\n<p>At\u00e9 o HTML baseou-se em outra plataforma j\u00e1 em uso, a SGML, desenvolvida na IBM nos anos 1960. Passados catorze anos, quando Hurley, Chen e Karim se reuniram para criar o YouTube, constru\u00edram o servi\u00e7o costurando elementos de tr\u00eas plataformas diferentes: a pr\u00f3pria web, \u00e9 claro, mas tamb\u00e9m a plataforma Flash da Adobe, que lidava com a grava\u00e7\u00e3o e a reprodu\u00e7\u00e3o de v\u00eddeos, e a linguagem de programa\u00e7\u00e3o JavaScript, que permitia a usu\u00e1rios finais incorporar videoclipes em seus pr\u00f3prios sites.<\/p>\n<p>A habilidade de construir sobre essas plataformas preexistentes explica por que tr\u00eas sujeitos foram capazes de criar o YouTube em seis meses, ao passo que um ex\u00e9rcito de comit\u00eas de especialistas e companhias eletr\u00f4nicas levaram vinte anos para transformar a HDTV em realidade.<\/p>\n<p>No mundo on-line, o estudo de caso recente mais celebrado sobre o poder inovador de plataformas empilhadas foi a r\u00e1pida evolu\u00e7\u00e3o do Twitter. Da mesma maneira que os fundadores do YouTube, os criadores desse servi\u00e7o de rede social, Jack Dorsey, Evan Williams e Biz Stone, beneficiaram-se de plataformas existentes: o famoso limite de 140 caracteres \u00e9 baseado nas limita\u00e7\u00f5es da plataforma de comunica\u00e7\u00f5es m\u00f3veis SMS, que eles utilizam para conectar mensagens da web a <a href=\"https:\/\/cursomanutencaodecelular.net\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">telefones celulares.<\/a><\/p>\n<p>Mas o que o Twitter tem de mais fascinante \u00e9 o quanto se construiu sobre sua plataforma em apenas tr\u00eas anos. Assim que surgiu, ele foi alvo de zombaria, considerado uma distra\u00e7\u00e3o fr\u00edvola cuja principal utilidade era contar aos amigos o que t\u00ednhamos comido no caf\u00e9 da manh\u00e3.<\/p>\n<p>Agora \u00e9 usado para organizar e compartilhar not\u00edcias sobre os protestos pol\u00edticos no Ir\u00e3, driblar a censura governamental, fornecer suporte t\u00e9cnico a clientes de grandes empresas, divulgar not\u00edcias interessantes e milhares de outras aplica\u00e7\u00f5es que n\u00e3o tinham passado pela cabe\u00e7a dos fundadores quando eles inventaram o servi\u00e7o em 2006.<\/p>\n<p>Esse n\u00e3o \u00e9 apenas um exemplo de exapta\u00e7\u00e3o cultural \u2013 pessoas encontrando um novo uso para uma ferramenta projetada para fazer outra coisa. No caso do Twitter, os usu\u00e1rios v\u00eam reprojetando a pr\u00f3pria ferramenta. A conven\u00e7\u00e3o de responder aos outros como s\u00edmbolo @ foi inventada espontaneamente por sua base de usu\u00e1rios.<\/p>\n<p>Os primeiros usu\u00e1rios do servi\u00e7o trouxeram uma conven\u00e7\u00e3o da plataforma de envio de mensagens IRC e come\u00e7aram a agrupar t\u00f3picos ou eventos com hashtags, como em \u201c#30Rock\u201d ou \u201c#inaugura\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>A capacidade de rastrear um live stream de tweets \u2013 que provavelmente se mostrar\u00e1 decisiva para o modelo comercial do servi\u00e7o, devido a seu potencial publicit\u00e1rio \u2013 foi desenvolvida por uma nova empresa completamente distinta.<\/p>\n<p>Gra\u00e7as a essas inova\u00e7\u00f5es, seguir um live feed de tweets sobre um evento \u2013 debates pol\u00edticos ou epis\u00f3dios da s\u00e9rie Lost \u2013 tornou-se parte fundamental da experi\u00eancia do Twitter. Durante o primeiro ano de exist\u00eancia do servi\u00e7o, por\u00e9m, esse modo de intera\u00e7\u00e3o n\u00e3o teria sido tecnicamente poss\u00edvel.<\/p>\n<p>\u00c9 como inventar um forno tostador e, um ano depois, olhar em volta e descobrir que todos os seus clientes, por si s\u00f3s, descobriram uma maneira de transform\u00e1-lo num micro-ondas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 style=\"text-align: left;\"><strong>Resumo final<\/strong><\/h3>\n<p>Se olharmos para os \u00faltimos cinco s\u00e9culos a partir da perspectiva distanciada, um fato salta aos olhos de imediato: a competi\u00e7\u00e3o baseada no mercado n\u00e3o tem nenhum monop\u00f3lio da inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A competi\u00e7\u00e3o e o lucro de fato nos motivam a transformar boas ideias em produtos acabados, mas, o mais das vezes, as ideias em si v\u00eam de outro lugar. Na linguagem de Darwin, as conex\u00f5es abertas da ribanceira emaranhada foram t\u00e3o generativas quanto a guerra da natureza.<\/p>\n<p>Stephen Jay Gould defende essa ideia com vigor na alegoria de sua cole\u00e7\u00e3o de sand\u00e1lias: \u201cA cunha da competi\u00e7\u00e3o tem sido, desde Darwin, o argumento can\u00f4nico para o progresso em tempos normais\u201d, escreve ele.<\/p>\n<p>\u201cMas quero afirmar que a roda da mudan\u00e7a funcional s\u00fabita e imprevis\u00edvel (o princ\u00edpio da transforma\u00e7\u00e3o de pneus em sand\u00e1lias) \u00e9 a principal fonte do que chamamos de progresso em todas as escalas.\u201d<\/p>\n<p>O empreendedor de Nair\u00f3bi vendendo sand\u00e1lias na feira pode de fato competir com outros sapateiros, mas o que torna seu com\u00e9rcio poss\u00edvel \u00e9 o ferro-velho cheio de pneus \u00e0 espera de ser livremente convertidos em cal\u00e7ados, e o fato de que a boa deia de converter pneus em sand\u00e1lias pode ser transmitida de um sapateiro para outro pela simples observa\u00e7\u00e3o, sem quaisquer acordos de licenciamento que restrinjam o fluxo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito, se voc\u00ea gosta de ler resumos como este e ainda n\u00e3o \u00e9 fluente em ingl\u00eas, \u00e9 bem prov\u00e1vel que voc\u00ea v\u00e1 gostar do nosso aplicativo, o \u00fanico app onde voc\u00ea estuda ingl\u00eas atrav\u00e9s de resumos de livros de empreendedorismo, finan\u00e7as, desenvolvimento pessoal e muito mais.<\/p>\n<p>N\u00f3s disponibilizamos as principais li\u00e7\u00f5es dos maiores best-sellers de n\u00e3o-fic\u00e7\u00e3o nos formatos de textos e \u00e1udios, em ingl\u00eas com a tradu\u00e7\u00e3o sincronizada.<\/p>\n<p>Os resumos tem uma dura\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de 15 minutos. Dessa forma, utilizando apenas quinze minutos , voc\u00ea consegue absorver o conhecimento de um livro por dia, enquanto aprende ingl\u00eas.<\/p>\n<p>Caso voc\u00ea tenha interesse em baixar nosso aplicativo gratuitamente e utiliz\u00e1-lo ainda hoje, \u00e9 s\u00f3\u00a0<a href=\"https:\/\/go.idiomus.com\/app\/download\/blog?category=resumos-de-livros&amp;post=de-onde-vem-as-boas-ideias\"><strong>clicar aqui.<\/strong><\/a><a href=\"https:\/\/go.idiomus.com\/app\/download\/blog?category=resumos-de-livros&amp;post=de-onde-vem-as-boas-ideias\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-3228\" src=\"https:\/\/idiomus.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Aplicativo-Idiomus-19-1024x1024.png\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/idiomus.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Aplicativo-Idiomus-19-1024x1024.png 1024w, https:\/\/idiomus.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Aplicativo-Idiomus-19-150x150.png 150w, https:\/\/idiomus.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Aplicativo-Idiomus-19-300x300.png 300w, https:\/\/idiomus.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Aplicativo-Idiomus-19-768x768.png 768w, https:\/\/idiomus.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Aplicativo-Idiomus-19.png 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Se voc\u00ea gostou desse conte\u00fado, leia tamb\u00e9m os resumos dos livros\u00a0<a href=\"https:\/\/idiomus.com\/blog\/o-poder-da-acao\/\">O poder da A\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/idiomus.com\/blog\/a-arte-da-guerra\/\">A arte da Guerra<\/a>\u00a0dispon\u00edvel em nosso blog.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De Onde V\u00eam as Boas Ideias: Uma Hist\u00f3ria Natural da Inova\u00e7\u00e3o &nbsp; Sinopse: Se h\u00e1 uma \u00fanica m\u00e1xima que percorre todos os argumentos de Steven Johnson, premiado autor de ci\u00eancias, em \u201cDe Onde V\u00eam as [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3540,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-251","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-resumos-de-livros"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/idiomus.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/251","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/idiomus.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/idiomus.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/idiomus.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/idiomus.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=251"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/idiomus.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/251\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3455,"href":"https:\/\/idiomus.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/251\/revisions\/3455"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/idiomus.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3540"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/idiomus.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=251"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/idiomus.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=251"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/idiomus.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=251"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}